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sábado, 2 de novembro de 2013

Primeira depilação...

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. 

Mas  acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer,  porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava  que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria porno-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?

- Virilha.

- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.

- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.

Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.

Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. 

Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.

Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.

Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era

O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?

- é... é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.

- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.

- Assim?

- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.

- Arreganhada, né?

Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.

Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.

Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.

Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.

Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas. 

- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.

- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta".

Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.

Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?

- Hein?

- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?

- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o cú de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.

Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?

- Dói nada.

- Tá, passa essa merda...

- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.

Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda,  protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei anti-depilação cavada.

http://0-100-xeta.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rosa Azul (Linguagem das Flores)


A rosa azul não existe naturalmente, sendo obtida por variações genéticas; é geralmente descrita na literatura como símbolo de amor e prosperidade aos que a procuram.

Em algumas culturas, a rosa azul tradicionalmente significa mistério ou a busca ou o alcance do impossível. Acredita-se que elas tragam ao dono juventude ou a realização de um desejo. Historicamente, o simbolismo vem do significado das rosa na "Linguagem das flores" (verificar ponto um).



1. Linguagem das flores, algumas vezes chamada de floriografia, foi um meio de comunicação da era vitoriana na qual o envio de flores e arranjos florais eram usados para enviar mensagens codificadas, permitindo que indivíduos expressassem sentimentos que de outra forma não poderiam ser ditos.
O rei Carlos II trouxe a arte da Pérsia à Suécia no 17.º século, dali se espalhando o costume pela Europa. As nuances da linguagem estão agora praticamente esquecidas, mas rosas vermelhas ainda inferem amor romântico e apaixonado; rosas cor-de-rosa uma afeição menor; rosas brancas ainda sugerem virtude e castidade; rosas amarelas ainda significam amizade e devoção; e a rosa azul representa uma relação de mistério. Embora estas possam não ser as traduções exactas dos sentimentos vitorianos, as flores ainda nos falam muito.

Outros significados comummente conhecidos são girassóis, que pode significar tanto arrogância quanto respeito - eles eram a flor favorita de Santa Júlia por esse motivo. A Íris, sendo nomeada para o mensageiro dos deuses na mitologia grega, ainda representa uma mensagem sendo enviada. Uma amor-perfeito significa pensamentos, narciso silvestre consideração, e um cordão de hera significa fidelidade.

Fonte Wikipédia (Rosa Azul).

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

...alegria...

Sou uma criança que brinca à beira mar...


...uma criança que corre e pula sem parar. 

A imagem é um quadro de Portinari

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Butterfly!

Voando nas asas de um sonho, seguindo a tua luz que me ilumina, vou até ti e busco o teu perfume... sim, o teu cheiro em mim, o teu odor que me inebria e faz sentir viva e voar a cada dia seguindo mais e mais além.



Tu és a flor do meu jardim,
és tão linda, és pura magia, 
o meu alimento noite e dia,
tu és tudo, és tudo para mim!


Por Aléxia Mir, 19 Agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

"O caminho faz-se caminhando"

O caminho é longo, cheio de obstáculos e privações... mas a cada dificuldade ultrapassada seremos um pouco mais fortes mas também mais duros com a vida. Crescer é assim, molda-nos e faz-nos ser diferentes a cada dia que passa. Seremos melhores?! Assim o desejamos, ser alguém melhor a cada dia vivendo e buscando a felicidade, partilhando-a com quem faz parte desta nossa senda e tocando aqui e ali as pessoas que por um ou outro motivo entram na nossa vida.
Eu acredito na felicidade mas para a alcançar é estranho que tenhamos de sofrer e lutar e... já chega, por vezes é preciso parar e mesmo que seja no meio do caminho, repousar, pensar e retemperar o espírito! Caminhar cansa... mas é tão bom caminhar com quem gostamos... Sejam felizes, sempre!

Por Aléxia Mir, 08-08-2013


Esta é a resposta de uma grande amiga, uma amiga que guardarei para toda a vida, aqui fica:

É a estrada da vida é longa a seguir e por vezes vivemos na impaciência da vontade de sermos felizes, enfiamos os pés pelas mãos, mas descobrimos potencialidades e limites; estabelecemos vínculos e aprendemos aos poucos a articular interesses e pontos de vista com os demais, percebendo-se cada vez mais integrantes, dependentes e agentes...expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades; ajuntando-nos as diferentes intenções e situações de forma a aprendermos a compreender e sermos compreendidos! Mas o importante é que aprendemos mais cedo ou mais tarde e sobrevivemos!

Por Ericka Reis, 08-08-2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

10 Meses

"Tu estás gravada para sempre em mim.
 Nunca pensei que pudesse amar assim.

 Tu és o meu amor, tu és a minha paixão.
 És a minha vida, o bater do meu coração.

 Penso em ti a dormir, penso até acordada.
 Tu és para mim, a minha menina adorada.

 O meu corpo estremece, fico toda a tremer.
 Tudo isso, apenas e só, por te ler ou escrever.

 Quero muito beijar-te, quero sentir o teu sabor.
 Ando louca de desejo, doida para contigo fazer..."


Por Alexia Mir (05.Agosto.2013)