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sexta-feira, 6 de março de 2026

Ângulo Morto

 






Olhando pelos retrovisores eu vejo... 

Um passado mais perto do que parece.


Não é mais do que meras perspectivas.

Pontos de vista, contudo enganadores. 


Um ângulo morto pode ser perigoso

Nem tudo é visível de imediato, não.


É mais do que uma vida vazia, vã e sombria

Ângulos suplementares deste leito sem fim.


Esticando e alongando-se a perder de vista

Este é o ângulo raso que vamos percorrendo .


A estrada é longa e o horizonte nunca chega

Há que parar e descansar para não desanimar.


De pé, olhando a noite, a imensidão de estrelas

Percebemos o quão pequenos somos por aqui.


Ângulos complementares que se vão somando

Somos agora um ângulo recto, de fé e devoção. 


Alexandra Miranda, 21-01-2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Sobre viver.

Viver e estar vivo,

Tem peso e significado.

É passar a vida 

ou simplesmente desfrutá-la.

Implica estar VIVO,

mesmo quando a vontade falta.


Estar vivo é existência.

É respirar,

é rotina,

é subsistir.

Mas viver é sentir,

ter propósito,

é aprender,

é transformar-se.


Viver é experiência.

É intensidade que não se explica,

é render-se ao desconhecido,

é ensaio e erro sem aprovação.


Estar vivo exige recursos.

Sentir-se vivo exige coragem:

aceitar dores, abraçar alegrias.

É lembrar do que não se pode escapar.

E é nesse contraste

que descobrimos o que nos faz

SER além de EXISTIR.


Ericka Reis / 17.09.25



quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Balada da Neve

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.

Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente

e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:

mas há pouco, há poucochinho,

nem uma agulha bulia

na quieta melancolia

dos pinheiros do caminho...


Quem bate, assim, levemente,

com tão estranha leveza,

que mal se ouve, mal se sente?

Não é chuva, nem é gente,

nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía

do azul cinzento do céu,

branca e leve, branca e fria...

- Há quanto tempo a não via!

E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.

Pôs tudo da cor do linho.

Passa gente e, quando passa,

os passos imprime e traça

na brancura do caminho...


Fico olhando esses sinais

da pobre gente que avança,

e noto, por entre os mais,

os traços miniaturais

duns pezitos de criança...


E descalcinhos, doridos...

a neve deixa inda vê-los,

primeiro, bem definidos,

depois, em sulcos compridos,

porque não podia erguê-los!...


Que quem já é pecador

sofra tormentos, enfim!

Mas as crianças, Senhor,

porque lhes dais tanta dor?!...

Porque padecem assim?!...


E uma infinita tristeza,

uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na Natureza

- e cai no meu coração.


Poema de Augusto Gil






terça-feira, 25 de novembro de 2025

Sentido

Amar é sonhar com a utopia.

Leviana, tal e qual ela deve ser. 

Estravazando o que vai no peito. 

Xebre paladar, ai, desta sociedade. 

Ajuizada, mas de valores fracos! 

Nada pode ser dito e pior, pensado. 

Demagogia dos tempos modernos. 

Revolução, oh... Que fraca amostra. 

Amar, assim, vai sendo proibido...


Será que tudo isto faz sentido?

Alexandra Miranda,  21-09-2025

Amar... 

Amar sempre fará sentido.

Maior virtude da humanidade.

Apesar dos flagelos da sociedade.

Resposta forte, para a alma, mudar!


Ericka Reis, 22-09-2025 

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Sombra vs. Luz


Olhando a rua lá fora, sinto-me arrepiar.
O vento sopra forte e a chuva cai sem parar.
Uma sombra que se adensa e torna a luz fugaz.
Envolve-me a escuridão e eu só queria ter paz.

As marcas do tempo, estão cravadas em mim.
Lembrando a cada momento que não foi o fim.
Eram tempos tão belos, da mais terna amizade.
Recorda-los agora só vão acentuar a saudade.

Todos os anos, é sempre a mesma a ladainha.
Sofrer pelo passado, mas a culpa não é minha.
Tentando ser forte, já nao sei mais como agir.
Tudo fica complicado pois só me apetece fugir.

Que poderei mais fazer para me sentir segura.
Sabendo que és a luz nesta noite tão escura.
Eu sinto-me como se estivesse em suspenso.
Cada dia vivido torna tudo ainda mais intenso.

Coisas simples que para outros não são notórias.
As lutas diárias que vou transformando em vitórias.
Enfrento as bruxas e os demónios até ao meu fim.
Que este seja um excelente dia de 'Halloween'...

Alexandra Miranda, 31-10-2025.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Give Yourself a Time

Give Yourself a Time
mesmo e apesar dos momentos que se foram.
Give Yourself a Time
para se acostumar com as sombras fugidias,
Lembrar as lágrimas vencidas.
As aventuras.
As insonolências.
E principalmente a coragem de mudar e o medo de perder-se.
para jamais esquecer que os momentos se vão.
Mas nem sempre são realmente perdidos.
Alguns podem ser repetidos, já outros...
...bem mais merecidos...
...em jovial formato retornam. 
Afinal, as prioridades mudaram.
Por isso...
Give Yourself a time
...para construir, derrubar e tornar a construir.
E quem sabe dividir com alguém especial.
De forma fraterna ou até passional.
A morosidade de um fim de tarde...
...com um pastel de nata e um delicioso café.

Belém, 26-05-2020 
Escrito por Ericka Reis em resposta a:
Um café e um pastel de nata... Clique aqui para ler.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Um café e um pastel de nata...


Um café e um pastel de nata, por favor…
Um momento de prazer, de gosto e sabor.
Um momento de quietude e de paragem.
Um momento fugaz, uma miragem.

Miragem das conversas aqui e ali.
Miragem dos livros que então li.
Miragem das revistas e jornais…
Miragem, porque não voltam mais.

Não voltam mais os sonhos defuntos.
Não voltam mais outros assuntos…
Não voltam mais as nossas conversas.
Não voltam mais porque jazem secretas.

Jazem secretas as nossas paródias.
Jazem secretas as nossas memórias...
Jazem secretas muito para lá da dor.
Um café e um pastel de nata, por favor…



Por Alexandra Miranda, 01-03-2017